Entregadores do Mercado Livre confirmam paralisação nacional para 25 de setembro

Motoristas cobram reajuste das rotas, melhores condições de trabalho e denunciam esperas superiores a cinco horas nos centros de distribuição de Maricá e Itaboraí

Motoristas que realizam entregas para o Mercado Livre por meio de transportadoras terceirizadas estão organizando uma paralisação nacional para sexta-feira, 25 de setembro. A mobilização vem sendo confirmada e compartilhada em diferentes grupos regionais da categoria, incluindo comunidades de trabalhadores no estado do Rio de Janeiro.

A convocação ganhou força após o encerramento do prazo estabelecido por representantes dos motoristas para que as empresas responsáveis pelas operações apresentassem respostas às reivindicações. Inicialmente concentrado em Goiás e no Distrito Federal, o movimento passou a circular em grupos de entregadores de outras regiões do país.

Entre as principais reclamações estão a falta de reajuste nos valores pagos pelas rotas, o aumento expressivo da quantidade de encomendas, as longas esperas para carregar os veículos e a aplicação de descontos ou penalidades por problemas que, segundo os trabalhadores, nem sempre estão sob sua responsabilidade.

Motoristas relatam espera superior a cinco horas em Maricá

Leitores do RJ106 que trabalham com entregas do Mercado Livre relatam enfrentar longas filas no centro de distribuição de Maricá. Segundo os depoimentos recebidos pelo jornal, existem dias em que os motoristas aguardam mais de cinco horas para conseguir carregar os veículos e iniciar as entregas.

Essa demora aumenta o tempo total de trabalho e pode comprometer a conclusão das rotas. Mesmo permanecendo durante horas no centro de distribuição, o motorista ainda precisa enfrentar o trânsito e percorrer todo o itinerário previsto no aplicativo.

Os profissionais afirmam que a espera não é devidamente considerada no cálculo da remuneração. Dessa forma, uma rota prevista para durar algumas horas pode ocupar praticamente todo o dia do entregador.

Problemas também são relatados no centro de distribuição de Itaboraí

Motoristas que carregam no centro de distribuição de Itaboraí também procuraram o RJ106 para relatar demora na liberação das mercadorias. As reclamações indicam que o problema não estaria restrito a uma unidade específica da operação no Leste Fluminense.

Os relatos apontam falta de previsibilidade nos horários, formação de filas e atrasos que afetam diretamente a jornada dos trabalhadores. Como muitos utilizam veículos próprios, o período de espera também representa despesas com alimentação, deslocamento e tempo improdutivo.

As denúncias envolvendo os centros de Maricá e Itaboraí são relatos enviados por leitores que se identificaram como motoristas vinculados à operação de entregas. O RJ106 solicitou posicionamento das empresas responsáveis e mantém o espaço aberto para esclarecimentos.

Motorista confirma rota, mas não encontra carga no CD

Outro problema informado ao jornal ocorre quando o motorista recebe e confirma uma rota pelo aplicativo Envia Extra, desloca-se até o centro de distribuição, mas, ao chegar à unidade, descobre que não existe mais carga disponível.

Nessas situações, os profissionais afirmam que já tiveram despesas com combustível, pedágio e deslocamento, além de terem reservado o período para a realização do serviço. Como a rota foi previamente confirmada, muitos deixam de aceitar outros trabalhos contando com aquela atividade.

Segundo os relatos, quando a carga não está disponível, o motorista teria direito a um pagamento compensatório correspondente a 40% do valor da rota. Entretanto, trabalhadores afirmam que enfrentam demora, respostas genéricas e dificuldades para receber essa compensação por meio do suporte do Envia Extra.

Os entregadores reclamam que precisam abrir chamados e apresentar repetidamente comprovantes de presença ou informações da rota. Ainda conforme os depoimentos, alguns pedidos de pagamento permanecem durante dias em análise, sem uma resposta conclusiva.

Valores das rotas estariam congelados há mais de três anos

De acordo com informações apresentadas por representantes da categoria, os valores de referência praticados em algumas operações seriam de aproximadamente:

  • R$ 180 por rota realizada com carro de passeio;
  • R$ 270 para veículos utilitários;
  • R$ 460 para veículos urbanos de carga, os chamados VUCs.

Os motoristas afirmam que esses valores permanecem sem reajuste há mais de três anos. Durante o mesmo período, aumentaram despesas como combustível, pneus, manutenção, seguro, alimentação e depreciação dos veículos.

A remuneração e as condições podem variar conforme a transportadora, a região, o tipo de veículo e o contrato firmado. Os entregadores não são necessariamente funcionários diretos do Mercado Livre, pois parte relevante da operação é executada por empresas terceirizadas e prestadores autônomos.

Quantidade de pacotes teria mais que dobrado

Outra queixa recorrente diz respeito ao crescimento da carga de trabalho. Segundo representantes do movimento, rotas que anteriormente tinham cerca de 40 paradas e 80 volumes passaram a registrar mais de 100 paradas e 150 encomendas.

Há relatos de operações com 133 paradas e 173 entregas previstas para serem concluídas em até oito horas. Os profissionais sustentam que o aumento da produtividade exigida não foi acompanhado por uma revisão proporcional da remuneração.

As primeiras negociações divulgadas ocorreram em Goiás e no Distrito Federal. Uma reunião foi realizada no dia 4 de setembro, e os motoristas estabeleceram o dia 20 como prazo para a apresentação de uma resposta. Sem um acordo amplamente divulgado até o momento, a convocação para o dia 25 foi mantida. As informações iniciais sobre as negociações foram publicadas pelo portal Mais Goiás.

Aplicativo e penalidades também são questionados

Além da remuneração, os motoristas relatam dificuldades relacionadas aos sistemas utilizados durante as entregas. Entre as reclamações estão bloqueios de paradas, alterações nas rotas, falhas na comunicação com o suporte e descontos aplicados quando uma encomenda aparece no sistema como não recebida.

Os entregadores defendem mecanismos mais transparentes para contestar ocorrências. A alegação é que falhas de registro, divergências na separação dos pacotes ou problemas operacionais podem acabar sendo atribuídos ao motorista, resultando em prejuízo financeiro.

Entregas poderão atrasar?

O impacto da paralisação dependerá do número de motoristas e transportadoras que aderirem efetivamente ao movimento em cada região. Apesar da convocação nacional circular em diferentes grupos, ainda não existe um levantamento independente capaz de antecipar o tamanho da adesão.

Caso a participação seja expressiva, algumas cidades poderão enfrentar atrasos na saída das rotas, na atualização dos rastreamentos e na entrega das encomendas. O efeito poderá variar entre os centros de distribuição, pois a estrutura logística é formada por operações próprias, transportadoras terceirizadas, agências parceiras e diferentes modalidades de entrega.

A paralisação anunciada para o dia 25 não significa necessariamente a interrupção completa de todas as entregas do Mercado Livre no país. Consumidores devem acompanhar seus pedidos pelo aplicativo ou pelo site e observar eventuais alterações na previsão de chegada.

Movimento é organizado de forma descentralizada

Embora a convocação seja apresentada pelos trabalhadores como nacional, a organização ocorre principalmente por meio de grupos de WhatsApp, redes sociais e lideranças regionais.

Por essa razão, tecnicamente, trata-se de uma paralisação nacional convocada por grupos de motoristas, e não de uma greve formal anunciada por uma única entidade sindical representativa de toda a categoria.

Até a publicação desta matéria, não havia sido localizada manifestação pública do Mercado Livre sobre os relatos envolvendo os centros de distribuição de Maricá e Itaboraí, a compensação de 40% pelas rotas canceladas ou a abrangência nacional da paralisação.

O RJ106 mantém o espaço aberto para que o Mercado Livre, o Envia Extra, as transportadoras responsáveis pelas unidades e os representantes dos entregadores apresentem seus posicionamentos.

O jornal continuará acompanhando a mobilização e recebendo relatos de motoristas do Mercado Livre no Leste Fluminense e em outras regiões do país.

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