VAGABUNDAGEM POLÍTICA? 18 VEREADORES FALTAM DE NOVO

Pela segunda sessão consecutiva, apenas 3 dos 21 vereadores apareceram. Sessão desta quinta-feira terminou novamente sem quórum; presidente acusa prefeito de tentar controlar a Câmara e questiona ausência em massa

MARICÁ — A Câmara Municipal de Maricá vive uma das maiores crises políticas dos últimos anos.

Pela segunda sessão consecutiva, a população que acompanhou a sessão encontrou praticamente o mesmo cenário: 21 cadeiras disponíveis, mas somente três vereadores presentes.

Nesta quinta-feira (29), novamente compareceram apenas Aldair de Linda, Chiquinho e Ricardinho Netuno.

Os outros 18 vereadores não apareceram, e a sessão precisou ser encerrada por falta de quórum. O mesmo havia acontecido na terça-feira (27).

A situação é especialmente grave porque a Câmara realiza sessões ordinárias apenas duas vezes por semana, às terças e quintas-feiras.

Ou seja: na semana em que os vereadores deveriam se reunir duas vezes para discutir e votar as demandas da população, as duas sessões foram inviabilizadas pela ausência da maioria.

🔴 21 VEREADORES. 3 PRESENTES. 18 AUSENTES.

A chamada desta quinta-feira foi feita nominalmente.

E o resultado voltou a ser constrangedor:

Presentes:

  • Aldair de Linda
  • Chiquinho
  • Ricardinho Netuno

Ausentes: 18 vereadores.

Como são necessários pelo menos cinco parlamentares para a abertura dos trabalhos, os três presentes não conseguiram formar quórum.

O presidente ainda determinou uma espera de aproximadamente 20 minutos na tentativa de que outros vereadores chegassem.

Ninguém apareceu em número suficiente.

A sessão foi encerrada.

💥 O MAIS CURIOSO: A MAIORIA JUSTIFICOU COMO “COMPROMISSO POLÍTICO”

As justificativas registradas na pauta da sessão chamam atenção.

Dos 18 vereadores ausentes nesta quinta-feira, 16 apresentaram justificativas.

Seis alegaram problemas de saúde.

Dez apresentaram algum tipo de compromisso.

E, dentro desse grupo, nove registraram especificamente “compromisso político” como justificativa.

Os vereadores que tiveram “compromisso político” registrado foram:

Adelso Pereira, Chris Corrêa, Felipe Paiva, Luciano Rangel Jr., Marcinho da Construção, Marcus Bambam, Rita Rocha, Rony Peterson e Tatai.

Hadesh e Thiago Fonseca não apareciam com justificativa registrada para a sessão desta quinta-feira na documentação consultada.

Isso abre uma pergunta inevitável:

O que exatamente é um “compromisso político” capaz de impedir um vereador de comparecer à única reunião do Legislativo municipal realizada naquele dia?

⚠️ E A AUSÊNCIA FOI COLETIVA

O detalhe que mais chama atenção é que não foram vereadores diferentes faltando em cada sessão.

Os mesmos 18 parlamentares que não apareceram na terça-feira (27) também não apareceram nesta quinta-feira (29).

Resultado:

DUAS SESSÕES ORDINÁRIAS.
18 VEREADORES AUSENTES NAS DUAS.
ZERO VOTAÇÕES.

Entre os assuntos que deixaram de ser analisados estava o projeto que regulamenta o plano de saúde e odontológico coletivo para os servidores da Câmara.

Segundo Aldair, o benefício teria custo aproximado de R$ 80 mil mensais e não seria destinado aos vereadores.

🗣️ ALDAIR ROMPE O SILÊNCIO E ATACA

Após a chamada desta quinta-feira, Aldair de Linda não poupou críticas.

O presidente da Câmara classificou a situação como “falta de respeito” com a população e com os próprios vereadores eleitos.

Mas a fala de Aldair foi além.

O presidente colocou diretamente o prefeito Washington Quaquá no centro da crise.

Segundo Aldair, ele teria recebido informações de que o prefeito estaria “mexendo os pauzinhos” no Ministério Público para tirá-lo da presidência da Câmara antes do fim do mandato.

A declaração foi feita publicamente durante a sessão.

🔥 A GUERRA QUAQUÁ X ALDAIR

A crise não surgiu agora, há boatos que ela vem desde 2024, quando Fabiano Horta, então prefeito de Maricá, se recusou a vir como Candidato a Governador em 2026 a pedido de Quaquá.

Em 6 de outubro, Aldair anunciou que não fazia mais parte da base política de Quaquá.

A ruptura oficial, ocorreu depois de uma disputa envolvendo as eleições deste ano, quando Quaquá virou a mesa e declarou apoio a Zeidan para deputada estadual, enquanto Aldair fez campanha para seu filho, Allyson Elias.

A relação política, que durante anos foi de proximidade, acabou se transformando em confronto aberto.

E existe um detalhe ainda mais explosivo.

Após as eleições, Quaquá publicou nas redes sociais uma mensagem enigmática:

“RENOVAÇÃO. 2 DE DEZEMBRO. VEM AÍ!”

A publicação foi acompanhada de uma fotografia ao lado de vereadores e lideranças políticas.

A data chama atenção porque a Câmara deverá escolher a nova Mesa Diretora para o biênio 2027-2028, e a eleição está prevista para dezembro.

Nos bastidores, o grupo ligado ao prefeito é apontado como interessado em uma mudança no comando da Câmara, enquanto Aldair tenta permanecer politicamente forte.

👀 QUEM ESTÁ DO LADO DE QUEM?

A situação criou uma divisão política cada vez mais evidente.

De um lado:

Aldair de Linda, atual presidente da Câmara, que rompeu com a base de Quaquá e passou a fazer críticas públicas ao prefeito.

Do outro:

O grupo político ligado ao prefeito Quaquá, que articula uma nova composição para comandar o Legislativo a partir de 2027.

E no meio dessa guerra estão os vereadores.

A pergunta que começa a circular nas ruas é:

AS AUSÊNCIAS SÃO APENAS COINCIDÊNCIA OU FAZEM PARTE DA DISPUTA PELO CONTROLE DA CÂMARA?

Não existe, prova pública suficiente para afirmar que os 18 vereadores receberam uma ordem para faltar, porém sabemos como as coisas funcionam.

Mas a coincidência política é impossível de ignorar:

18 vereadores faltaram na terça.

18 vereadores faltaram na quinta.

E os três que compareceram foram exatamente os mesmos: Aldair, Chiquinho e Netuno.

💣 VEREADORES ESTÃO COM MEDO DE CONTRARIAR QUAQUÁ?

Essa é uma das perguntas que precisam ser respondidas.

Existe uma acusação política de que vereadores ligados ao governo poderiam evitar confrontos com Quaquá por receio de perder espaços políticos, cargos, indicações, influência ou outras vantagens dentro da estrutura municipal.

O correto jornalisticamente é tratar a questão como uma suspeita que precisa ser investigada, mas o próprio comportamento político, entretanto, alimenta o questionamento.

Se existe uma orientação coletiva por trás das ausências, quem determinou?

Se existe pressão política, quem pressionou?

E se não existe nenhuma articulação, por que 18 vereadores faltaram às duas únicas sessões ordinárias da semana?

⚖️ E O DECORO PARLAMENTAR?

A repetição das ausências também levanta uma discussão jurídica e regimental.

O Regimento Interno da Câmara prevê deveres relacionados ao exercício do mandato e mecanismos disciplinares para condutas incompatíveis com esses deveres.

Em determinadas situações, faltas injustificadas e condutas graves ou reiteradas podem provocar procedimentos internos.

Mas é importante separar as coisas:

duas faltas consecutivas não significam automaticamente perda do mandato.

A legislação federal estabelece, entre outras hipóteses, que o vereador pode ter o mandato extinto se deixar de comparecer a um terço das sessões ordinárias de determinada sessão legislativa, ressalvadas as hipóteses legalmente admitidas.

Portanto, o que está sendo questionado agora não é uma suposta perda automática de mandato.

O questionamento é outro:

Existe uma estratégia política deliberada para impedir o funcionamento do Legislativo?

Se houver provas, a situação poderá assumir proporções muito maiores.

🚨 MINISTÉRIO PÚBLICO PODE SER ACIONADO?

Diante da repetição dos episódios, uma representação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro poderia pedir a apuração de eventual utilização política das ausências, caso existam elementos concretos indicando uma ação coordenada para impedir deliberadamente o funcionamento da Câmara.

Também poderia ser solicitado que sejam analisadas eventuais denúncias de pressão política, favorecimento, troca de vantagens ou utilização indevida da estrutura pública.

Mas qualquer eventual denúncia precisará apresentar fatos, documentos, mensagens, gravações ou outros elementos de prova, quem vai meter a cara?

Não basta simplesmente dizer que os vereadores “faltaram porque Quaquá mandou”.

É preciso provar.

💰 E O DINHEIRO PÚBLICO?

O subsídio bruto de cada vereador de Maricá é de R$ 16.503,19 mensais.

As sessões ordinárias são realizadas duas vezes por semana.

Por isso, a população tem todo o direito de cobrar explicações.

Não se trata apenas de salário.

Existe estrutura de gabinete, assessores, servidores e toda uma máquina pública funcionando em torno dos mandatos.

E quando uma sessão não consegue sequer começar porque 18 dos 21 parlamentares não estão presentes, a pergunta é inevitável:

QUEM ESTÁ REPRESENTANDO O POVO?

📢 AGORA OS 18 PRECISAM EXPLICAR

A população de Maricá merece saber individualmente:

Por que cada vereador faltou?

O que significa o “compromisso político”?

Por que o mesmo grupo de 18 vereadores faltou nas duas sessões?

Houve orientação política?

Houve reunião ou articulação para esvaziar o plenário?

As ausências têm relação com a disputa entre Quaquá e Aldair?

Algum vereador recebeu orientação do governo municipal para não comparecer?

E, principalmente:

A CÂMARA DE MARICÁ ESTÁ SENDO PARALISADA POR UMA GUERRA PELO PODER?

Enquanto os grupos políticos brigam pelo comando da Câmara, a população fica olhando para um plenário vazio.

21 cadeiras.

18 ausentes.

3 presentes.

Duas sessões consecutivas sem quórum.

E uma guerra política que promete ficar ainda mais quente até 2 de dezembro, data que ganhou ainda mais atenção depois da misteriosa publicação de Quaquá sobre uma suposta “RENOVAÇÃO”.

Maricá quer respostas.

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