PT de Maricá dividido? Destaque para Diego e Zeidan e silêncio sobre Fabiano e Allyson expõem cobrança por unidade
A eleição de quatro representantes do PT ligados a Maricá poderia ter sido celebrada como uma conquista coletiva. Entretanto, segundo levantamento apresentado ao RJ106, o perfil municipal do partido nas redes sociais destacou as vitórias de Diego Quaquá e Zeidan, sem publicar congratulações equivalentes a Fabiano Horta e Allyson Elias.
Fabiano e Diego conquistaram vagas na Câmara dos Deputados, enquanto Allyson e Zeidan foram eleitos para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Os quatro disputaram pela mesma legenda, mas, conforme o relato encaminhado à reportagem, apenas dois receberam destaque na comunicação partidária após o resultado.
Até a consulta relatada em 6 de outubro de 2026, não haviam sido identificadas mensagens de felicitações a Fabiano e Allyson. O RJ106 não conseguiu verificar integralmente o histórico do perfil, incluindo stories e conteúdos arquivados. A observação se refere, portanto, às publicações descritas no levantamento apresentado, podendo ser complementada por outros registros.
A diferença de tratamento relatada levanta uma questão política: o perfil municipal está reconhecendo as conquistas do conjunto da legenda ou privilegiando os representantes mais próximos do grupo que controla sua direção?
Andréa Cunha e a ligação com o grupo de Quaquá
A presidência do PT de Maricá é ocupada por Andréa Cunha, que tomou posse em 6 de setembro de 2025. Ligada ao grupo político de Washington Quaquá, ela foi eleita no mesmo processo partidário que levou Diego Quaquá, então identificado como Diego Zeidan, ao comando estadual do PT.
A proximidade política também aparece em agendas públicas. Em julho de 2026, um encontro promovido por Andréa reuniu Diego e Zeidan para discutir o cenário partidário e apresentar uma prestação de contas de seu mandato.
Esse alinhamento, por si só, não caracteriza irregularidade. Entretanto, ajuda a contextualizar o questionamento sobre a seleção dos nomes destacados pelo perfil municipal.
Como presidente, Andréa ocupa uma função de representação do partido. Cabe à direção esclarecer quais critérios orientam as publicações institucionais e se haverá reconhecimento dos demais petistas eleitos.
Fabiano também apoiou Diego para a presidência estadual
O histórico da eleição interna acrescenta um elemento relevante ao debate. No Processo de Eleições Diretas de 2025, Andréa concorreu como candidata única à presidência municipal.
Diego, por sua vez, disputou o comando estadual com apoio de Quaquá, de Fabiano Horta e do grupo político do ex-prefeito, conforme registros publicados à época.
Assim, a construção da direção estadual contou com apoio de uma liderança cuja vitória eleitoral, segundo o levantamento apresentado, não recebeu o mesmo reconhecimento nas redes do diretório municipal.
Não há comprovação suficiente para afirmar que todos os filiados ou todos os vereadores petistas apoiaram as mesmas candidaturas internas. O apoio registrado de Fabiano, entretanto, permite questionar a reciprocidade política e o compromisso de representação coletiva assumido pelas direções.
Se a ausência de congratulações for confirmada, o episódio evidencia uma contradição: lideranças se unem para fortalecer a estrutura partidária, mas não recebem necessariamente o mesmo espaço quando conquistam mandatos pela legenda.
Reconhecimento seletivo e confiança partidária
Uma rede social institucional tem peso diferente de uma página pessoal. Embora dirigentes possam ter preferências e integrar correntes internas, o canal do diretório se apresenta ao público como a voz de uma organização coletiva.
Celebrar alguns eleitos e deixar outros sem referência pode transmitir uma mensagem de pertencimento desigual. Para militantes e eleitores, isso abre espaço à interpretação de que o reconhecimento depende da proximidade com a direção, mesmo quando todos concorreram sob a mesma sigla.
Essa é uma interpretação política do tratamento relatado, não uma comprovação de intenção deliberada de excluir Fabiano ou Allyson. Para esclarecer o caso, é necessário conhecer o conjunto das publicações e ouvir os responsáveis pela comunicação.
O que dizem as normas do PT
A crítica à conduta da direção deve ser distinguida de uma acusação de infração comprovada.
O PT possui Estatuto e normas eleitorais internas. Nas Normas Complementares ao Estatuto para as Eleições de 2026, o artigo 7º prevê penalidades disciplinares para candidatos que atuem contra candidaturas partidárias.
O artigo 12 estabelece um compromisso com o programa, as diretrizes e as decisões das instâncias da legenda.
Essas disposições não estabelecem expressamente uma obrigação de publicar congratulações a todos os eleitos. Além disso, a regra do artigo 7º se dirige a candidatos: sua aplicação não pode ser automaticamente transferida à administração de um perfil partidário.
Portanto, a ausência de uma homenagem nas redes, isoladamente, não comprova violação estatutária, infração ética ou crime eleitoral. Uma eventual responsabilização interna exigiria identificar a norma aplicável, a conduta dos responsáveis e as provas, com análise pelas instâncias competentes.
O questionamento político permanece: uma comunicação que privilegie apenas parte dos eleitos é coerente com a unidade que a direção deve construir?
Direção municipal precisa explicar os critérios
O esclarecimento do episódio passa por perguntas objetivas: existem publicações sobre Fabiano e Allyson que não foram identificadas no levantamento? Está prevista uma homenagem conjunta? Quem define os nomes contemplados nas mensagens de congratulações?
Também cabe explicar como a presidência municipal pretende representar as diferentes lideranças e correntes do PT após a eleição.
Esta versão da matéria não inclui manifestação da direção municipal. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e apresentação de conteúdos que possam complementar ou corrigir as informações.
Análise editorial: a unidade precisa aparecer na prática
Na avaliação editorial do RJ106, se confirmado o reconhecimento seletivo, a conduta representa uma falha política da direção municipal. Uma organização que reúne apoios para eleger seus dirigentes deve reconhecer também as conquistas dos companheiros que ajudaram a construí-la.
Nesse sentido, o tratamento desigual pode ser interpretado como uma traição à confiança coletiva. Trata-se de uma crítica política à reciprocidade e à representação partidária, sem antecipar um julgamento disciplinar.
Fabiano, Allyson, Diego e Zeidan foram eleitos pela mesma legenda. Reconhecer suas vitórias exige que a direção valorize o resultado alcançado pelo partido e o trabalho de seus militantes, mesmo diante das divergências internas.
Se o PT de Maricá deseja sustentar um discurso de unidade, sua comunicação precisa refletir esse compromisso. A presidência de Andréa Cunha tem a responsabilidade de esclarecer o episódio e demonstrar que o espaço institucional contempla o conjunto da legenda.
