BRASILEIRA DE 20 ANOS ESTÁ ENTRE AS NOVE VÍTIMAS DE QUEDA DE JATINHO NA FLÓRIDA; ELA CONQUISTOU LICENÇA DE PILOTO AOS 17
Nathalia Gadelha Filgueiras era copiloto do Learjet 60 que caiu em uma área residencial dos Estados Unidos. Jovem de família brasileira já acumulava mais de 1.300 horas de voo e trabalhava profissionalmente na aviação havia cerca de nove meses.
Uma jovem piloto de família brasileira está entre as nove vítimas da tragédia aérea que chocou os Estados Unidos neste domingo (1º). Nathalia Gadelha Filgueiras, de apenas 20 anos, era copiloto do Learjet 60 que caiu em uma área residencial do condado de Palm Beach, no sul da Flórida, e explodiu ao atingir o solo.
A identificação foi confirmada por familiares à imprensa norte-americana nesta segunda-feira (2). A história de Nathalia ganhou repercussão internacional não apenas pela tragédia, mas também por sua trajetória extraordinária na aviação: ela conquistou sua licença de piloto privado aos 17 anos, ainda durante o ensino médio, antes mesmo de obter a carteira de motorista.
De família brasileira, Nathalia vivia nos Estados Unidos e havia transformado o sonho de voar em profissão. Sua morte representa a interrupção precoce de uma carreira que estava apenas começando.
QUEM ERA NATHALIA GADELHA FILGUEIRAS, A JOVEM PILOTO DE FAMÍLIA BRASILEIRA
Nathalia cresceu no condado de Palm Beach, na Flórida, e estudou na West Boca Raton High School. Desde adolescente, demonstrava interesse pela aviação e começou a construir sua formação ainda durante os anos escolares.
Sua aproximação com o mundo dos aviões também teve influência familiar. Seu pai começou a pilotar por hobby em 2018, e ela passou a se interessar cada vez mais pela atividade.
Em 2020, quando ainda cursava o ensino médio, Nathalia iniciou os estudos teóricos de aviação, conhecidos como Ground School. Posteriormente, participou do programa Aviation Academy, ligado ao distrito escolar de Palm Beach, que apoiou sua formação e a obtenção da licença de piloto privado.
Em setembro de 2023, aos 17 anos, alcançou uma conquista que chamou a atenção da imprensa local: tornou-se piloto habilitada antes mesmo de ter carteira de motorista.
Na ocasião, já havia acumulado 88 horas de voo.
Em entrevista à emissora CBS12, em 2023, Nathalia falou com entusiasmo sobre a situação incomum de poder pilotar uma aeronave, mas ainda não dirigir um automóvel.
A jovem demonstrava orgulho de sua conquista e dizia gostar de fazer algo diferente das pessoas de sua idade.
O que começou como um sonho na adolescência acabou se transformando em uma carreira profissional em poucos anos.
AOS 20 ANOS, JÁ TINHA MAIS DE 1.300 HORAS DE VOO
A trajetória de Nathalia impressiona pela rapidez com que conseguiu avançar na carreira.
Depois de conquistar a licença privada, continuou estudando, realizando treinamentos e acumulando experiência na aviação.
Segundo informações divulgadas por familiares à imprensa, ela já havia ultrapassado a marca de 1.300 horas de voo.
Nathalia trabalhava como piloto profissional havia aproximadamente nove meses e estava vinculada à aviação executiva, setor que envolve operações com aeronaves particulares e voos fretados.
Sua história ganhou ainda mais destaque por representar uma jovem mulher que ingressou muito cedo em uma atividade profissional tradicionalmente marcada pela predominância masculina.
Aos 20 anos, ela já ocupava o posto de copiloto de um jato executivo Learjet 60, uma aeronave de dois motores utilizada em viagens particulares e operações corporativas.
COMO ACONTECEU A QUEDA DO LEARJET 60 NA FLÓRIDA
O acidente aconteceu por volta das 12h50 de domingo (1º), no horário local, em uma região residencial do condado de Palm Beach, na Flórida.
O avião envolvido era um Learjet 60, de fabricação de 2004, identificado pela matrícula N722BD.
A aeronave havia decolado do Aeroporto Internacional de Austin-Bergstrom, no Texas, e tinha como destino o Aeroporto de North Eleuthera, nas Bahamas.
O voo seguia normalmente até que a tripulação começou a relatar dificuldades relacionadas às condições meteorológicas encontradas durante o trajeto.
De acordo com as comunicações registradas entre a aeronave e o controle de tráfego aéreo, os pilotos informaram a presença de gelo, turbulência moderada e precipitação.
A tripulação chegou a solicitar informações sobre condições mais favoráveis de voo e pediu autorização para subir a uma altitude de 37 mil pés, aproximadamente 11,3 quilômetros.
Pouco depois, a situação se agravou drasticamente.
O avião entrou em uma descida extremamente acentuada, e os pilotos começaram a comunicar uma condição de emergência.
Dados de rastreamento analisados pelo Flightradar24 indicaram que a velocidade vertical de descida ultrapassou 32 mil pés por minuto em determinado momento.
Para se ter uma dimensão da gravidade, isso representa uma perda de altitude extraordinariamente rápida, muito acima do que seria esperado em uma descida operacional normal.
O último dado de altitude recebido pela plataforma foi de aproximadamente 8.750 pés, antes de o sinal da aeronave desaparecer.
ÁUDIO DA CABINE REGISTROU MOMENTOS DE DESESPERO
Um dos elementos mais dramáticos do acidente foi a gravação das comunicações entre os pilotos e o controle de tráfego aéreo.
Os registros revelam que a tripulação percebeu que estava perdendo o controle da situação e tentou comunicar a gravidade da emergência.
Durante a comunicação, um dos tripulantes informou que o avião estava descendo a uma velocidade de aproximadamente 10 mil pés por minuto. Pouco depois, o relato passou a indicar uma descida de 20 mil pés por minuto.
A tripulação também comunicou uma condição de excesso de velocidade, conhecida na aviação como overspeed.
Em um dos momentos mais angustiantes da gravação, uma voz feminina alerta:
“We’re gonna crash into the ground.”
Em português: “Nós vamos bater no chão.”
O controlador aéreo tentou manter contato e respondeu que estava acompanhando a situação, buscando obter mais informações dos pilotos.
A gravação também registra a frase “We’re out of time”, que significa “Estamos sem tempo”.
As comunicações mostram a rapidez com que a emergência evoluiu e o esforço da tripulação para lidar com a situação.
Entretanto, embora a gravação permita reconstruir parte dos momentos finais, ela não determina, por si só, o que provocou a perda de controle da aeronave.
AVIÃO EXPLODIU AO ATINGIR ÁREA RESIDENCIAL
O Learjet caiu próximo à South Military Trail, entre Cresthaven Boulevard e a 10th Avenue North, na região de Greenacres, em Palm Beach County.
Imagens registradas por testemunhas mostram o avião descendo em direção ao solo antes de atingir a área residencial e provocar uma enorme explosão.
O impacto produziu uma grande cratera, incêndio e destroços espalhados nas proximidades.
A tragédia provocou uma grande operação de emergência, envolvendo bombeiros, equipes médicas, policiais e autoridades de segurança.
Segundo informações divulgadas pela Reuters e pela Associated Press, aproximadamente 600 moradores de uma comunidade residencial próxima precisaram deixar suas casas por medida de segurança.
Os moradores foram encaminhados para abrigos enquanto as equipes trabalhavam na região.
As autoridades informaram que as nove pessoas que estavam a bordo morreram. Até as primeiras informações divulgadas após o acidente, não havia confirmação de mortes ou feridos entre as pessoas que estavam no solo.
O acidente também provocou o fechamento de vias próximas e mobilizou equipes para avaliar os danos provocados pela explosão.
O QUE PODE TER PROVOCADO A QUEDA?
A causa do acidente ainda não foi determinada oficialmente.
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) iniciou uma investigação, com apoio da Administração Federal de Aviação (FAA).
Entre os elementos que deverão ser examinados estão:
- As condições meteorológicas encontradas durante o voo.
- Os relatos de formação de gelo na aeronave.
- A turbulência e a precipitação informadas pela tripulação.
- Os dados de velocidade, altitude e trajetória.
- As condições técnicas dos motores e dos sistemas de controle.
- Os registros de manutenção e o histórico operacional da aeronave.
- As comunicações entre a tripulação e o controle de tráfego aéreo.
A formação de gelo em uma aeronave pode representar um risco significativo, dependendo da intensidade, da localização e das condições em que ocorre.
O acúmulo de gelo pode alterar as características aerodinâmicas do avião e comprometer seu desempenho.
Entretanto, ainda não existe uma conclusão oficial de que esse fenômeno tenha provocado o acidente.
Também será necessário investigar a informação sobre a condição de overspeed relatada pela tripulação e compreender por que a aeronave entrou em uma descida tão acentuada.
A fabricante Bombardier informou que colaborará com as autoridades responsáveis pela investigação.
FAMÍLIA BRASILEIRA FALA SOBRE A PERDA
A mãe de Nathalia, identificada como Camila, confirmou a morte da filha em declarações à imprensa norte-americana.
Em entrevista repercutida pelo New York Post, ela falou sobre o sonho da jovem e sobre o orgulho que sentia de sua trajetória.
A mãe relatou que sempre teve receio de que a aviação pudesse tirar a filha de sua vida, mas também sabia o quanto Nathalia amava voar.
A família descreveu uma jovem dedicada, que havia trabalhado desde cedo para construir sua carreira na aviação.
Seu padrasto, Thiago Corteleti, também falou com a imprensa e compartilhou informações sobre a experiência profissional da jovem.
Segundo ele, Nathalia acumulava aproximadamente 1.300 horas de voo e estava trabalhando profissionalmente havia cerca de nove meses.
Informações divulgadas pelo padrasto também apontam que ela teria enviado uma mensagem ao namorado aproximadamente dez minutos antes do acidente, mencionando turbulência e gelo durante o voo.
Esses relatos fazem parte das informações divulgadas pela família e ainda precisam ser considerados dentro do contexto da investigação oficial.
UMA HISTÓRIA BRASILEIRA QUE GANHOU REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
Embora Nathalia tenha crescido e desenvolvido sua carreira nos Estados Unidos, sua família possui origem brasileira.
A informação foi destacada pela imprensa brasileira após a confirmação de sua identidade.
Até o momento, não há confirmação pública de que ela tenha nascido no Brasil. O que foi confirmado é que ela pertencia a uma família brasileira que vivia nos Estados Unidos.
A história da jovem chama a atenção pela combinação de uma conquista profissional muito precoce e uma tragédia que interrompeu sua trajetória aos 20 anos.
Nathalia começou a estudar aviação ainda adolescente, conseguiu sua primeira licença aos 17 anos e, em poucos anos, chegou à cabine de um jato executivo.
Sua história também evidencia a presença de mulheres jovens em uma profissão que exige formação técnica, disciplina e responsabilidade.
A morte da copiloto brasileira se soma à de outras oito pessoas que estavam a bordo do Learjet 60.
Enquanto as autoridades norte-americanas trabalham para esclarecer as circunstâncias do acidente, familiares e amigos enfrentam a perda de uma jovem que, segundo sua mãe, estava vivendo o sonho que perseguiu desde a adolescência.
Nathalia tinha apenas 20 anos. Uma carreira que começou com um sonho de voar terminou tragicamente nos céus da Flórida.
