MARICÁ SEM PIEDADE? CASO DE SERVIDOR EM TRATAMENTO DE SAÚDE LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE HUMANIDADE DA GESTÃO QUAQUÁ
ONDA DE EXONERAÇÕES CHEGA A 192 REGISTROS
Enquanto a Prefeitura promove sucessivos desligamentos, relato de exoneração durante licença médica autorizada coloca o tratamento dado a servidores no centro de uma nova polêmica.
MARICÁ (RJ) — Até onde pode ir uma decisão administrativa quando, do outro lado, existe um trabalhador enfrentando problemas graves de saúde?
Essa é uma das perguntas que ganham força diante da sequência de exonerações promovidas na administração municipal de Maricá, sob o governo do prefeito Washington Quaquá (PT).
O Jornal RJ106, que já havia divulgado um levantamento com 170 atos de exoneração até 15 de outubro, acompanha novos registros publicados nos dias seguintes. A soma preliminar chega agora a 192 atos, número que ainda depende de conferência definitiva para afastar duplicidades e distinguir desligamentos de mudanças de cargo.
Mas, por trás das portarias, surge uma questão que vai além das estatísticas: qual é o compromisso humano da administração com trabalhadores que enfrentam problemas de saúde?
SERVIDOR EM TRATAMENTO DE SAÚDE: A FACE MAIS DELICADA DAS EXONERAÇÕES
Uma informação recebida pelo RJ106 merece atenção especial.
Segundo relato encaminhado à reportagem, um servidor da administração municipal, em tratamento de saúde e com licença médica oficialmente autorizada, teria sido alcançado pela recente onda de exonerações.
Por respeito à privacidade do trabalhador, sua identidade e os detalhes de sua condição clínica serão preservados.
O relato ainda depende da análise dos documentos médicos e administrativos correspondentes.
A situação exige uma resposta da Prefeitura.
Uma administração pode ter o direito legal de exonerar. Mas isso significa que toda exoneração é humanamente justificável?
A legislação permite, em regra, a livre exoneração de ocupantes de cargos exclusivamente comissionados. Entretanto, essa prerrogativa não afasta a necessidade de respeito à dignidade humana, aos direitos legalmente assegurados e à proibição de práticas discriminatórias.
O que está em discussão não é apenas o poder de demitir. É a maneira como o poder público trata as pessoas em momentos de vulnerabilidade.
DIÁRIO OFICIAL Nº 139: SAÚDE TEVE 19 EXONERAÇÕES
A edição nº 139 do Diário Oficial de Maricá, publicada em 8 de outubro de 2026, registrou uma das rodadas mais expressivas de exonerações na Secretaria Municipal de Saúde.
A Portaria nº 2472/2026 reuniu 19 exonerações, com efeitos a partir de 1º de outubro.
O episódio integra uma sequência de desligamentos que alcançou diferentes áreas da administração.
Em um setor responsável justamente pelo cuidado com a população, os atos também provocam uma reflexão sobre a atenção dispensada aos próprios trabalhadores.
NOVA CONTAGEM: LEVANTAMENTO PRELIMINAR ALCANÇA 192 REGISTROS
O levantamento publicado pelo RJ106 em 15 de outubro contabilizou 170 atos de exoneração.
Uma nova apuração das edições posteriores apontou outros 22 registros classificados como exonerações sem renomeação imediata.
O resultado é uma soma preliminar de 192 registros de exoneração em outubro.
As novas publicações incluem movimentações na Saúde, na Companhia de Desenvolvimento de Maricá (CODEMAR), em secretarias municipais e na Câmara Municipal.
Ainda assim, a sucessão de publicações exige esclarecimentos sobre os critérios adotados, o planejamento administrativo e os impactos para as famílias envolvidas.
PREFEITO WASHINGTON QUAQUÁ PRECISA RESPONDER: ONDE ENTRA A SENSIBILIDADE HUMANA?
O prefeito Washington Quaquá comanda a administração municipal e responde politicamente pelas diretrizes de sua gestão.
Diante do volume de exonerações, algumas perguntas precisam ser feitas.
A Prefeitura verifica a existência de licenças médicas antes de efetivar desligamentos? Existe algum procedimento de avaliação para situações de vulnerabilidade? Como são preservados os direitos de servidores que estão em tratamento de saúde? Quais critérios orientaram a recente sequência de exonerações?
Governar não significa apenas assinar atos administrativos, reorganizar equipes ou reduzir despesas. Significa também reconhecer que cada decisão pode afetar diretamente a vida de uma pessoa e de sua família.
POR TRÁS DE CADA PORTARIA EXISTE UMA VIDA
Uma exoneração pode representar o encerramento de uma função pública. Para quem depende daquela remuneração, também pode significar insegurança financeira e preocupação com o futuro.
Quando a situação envolve alguém em tratamento de saúde, essas preocupações podem se tornar ainda maiores.
É por isso que o debate não deve se limitar à legalidade formal dos atos.
A pergunta que Maricá precisa fazer é simples: uma Prefeitura que tem a saúde como responsabilidade pública está demonstrando sensibilidade suficiente com seus próprios trabalhadores?
O Jornal RJ106 continuará acompanhando as exonerações e cobrando esclarecimentos sobre os critérios administrativos, os direitos dos servidores e as consequências humanas das decisões.
A Prefeitura de Maricá deve ser procurada para apresentar sua posição sobre o caso relatado e sobre as exonerações. Sua resposta deverá ser incorporada à reportagem.
Fontes: Diário Oficial de Maricá, edições nº 139, 144, 145 e 146; levantamentos publicados pelo Jornal RJ106 em outubro de 2026.
Nota da redação: o total de 192 é preliminar e corresponde à soma de registros de exoneração, não a uma contagem definitiva de pessoas desempregadas. A situação médica relatada ainda exige confirmação documental e será tratada com preservação da identidade do trabalhador.
